Para reforçar minha obsessão, cá estou, muito tempo depois, escrevendo num dia primeiro.
Está bastante frio, o vento assopra o cantinho do ouvido, as árvores dançam lá fora, as folhas apostam corridas pelo chão e as pessoas caminham um tanto rápido. Creio que, se quisermos, podemos sentir o vapor do chocolate quente, sim, aquele que embacia as lentes dos óculos. É engraçado, o inverno é a única estação que vestimos nariz de palhaço sem se quer ter um, a não ser que alguém aqui pense ser um comediante, acredito não ser o caso.
O frio me parece bastante acolhedor, de certa forma, ele te levas pra junto de ti, é como se fosse à reaproximação de pais e filho brigados. No gelado somos praticamente obrigados a nos aturarmos, resultando em nos conhecermos mais um vez, porém, em cores monocromáticas.
A água da torneira pode ser gelada, o tempo entre o estar sem roupa e o banho é doído, mas a cama (depois de quente), as mãos aquecidas pela xícara fervente, o monte de roupa que te fazes parecer seguro, tudo isso, são coisas que só temos no inverno e, assim como essa estação, é tão bom matar a saudade de algo que não temos o tempo todo.
Confesso, estudar no sábado de manhã é a pior coisa do mundo.